A rede globo deu início esta semana a uma série de reportagens sobre educação. Na primeira reportagem, o repórter André Luís Azevedo foi ao Rio Grande do Sul e mostrou duas escolas de Novo Hamburgo, uma com IDEB 6,6 e outra com IDEB 3,6. É bom frisar que as duas escolas são destinadas aos alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, portanto escolas de alfabetização.
Na primeira escola: Jacob Kroeff Neto, além da tecnologia e da conservação das instalações foi informado que o salário da professora é de R$ 3.500,00. O repórter estava acompanhado de um “especialista – pesquisador” em educação Gustavo Ioschpe. O mesmo disse que as variáveis que fazem a diferença são: a gestão competente, a participação dos pais na vida escolar, o trabalho de professoras pós – graduadas e a tecnologia empregada. Já na outra escola: Eugênio Nelson Ritzel, localizada na periferia da cidade, foram apresentados os problemas que atingem a maioria das escolas brasileiras: instalações depredadas, sem refeitório, ausência dos pais e na opinião do especialista, uma espécie de comodismo de todos com esta situação.
O mesmo disse ainda que esta última escola não pode aceitar de forma passiva a situação apresentada. No entanto, não tocou no principal pilar que sustenta esse fosso: a ausência de políticas públicas e o aumento de investimentos, pois é certo que as crianças da segunda escola não dispõem em casa do que dispõem as crianças da primeira escola, o que significa condições econômicas dos pais muito superiores.
Outro elemento que chamou a atenção foi a afirmação do âncora William Bonner de que o Salário da professora do Eugênio Ritzel de R$ 3.000,00 era praticamente igual ao salário da professora do Jacob K. Neto; o que demostra uma tentativa de secundarizar a questão do salário como variável fundamental. Neste caso a diferença é de cerca de 17%.
Afinada com o sistema a globo não tratou do que é essencial para a educação brasileira que é o baixo investimento no setor, atualmente de cerca de 5% do PIB quando os próprios organismos internacionais recomendam no mínimo 10%. A globo mais uma vez mostrou de que lado está, suas reportagens buscam apenas o superficial, contribuindo para desinformar ao invés de informar. O sistema e os poderosos agradecem.
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