A educação vai mal
Estamos num momento muito difícil para a educação pública e para o professorado. Os sucessivos governos tucanos em São Paulo impuseram uma política educacional desastrosa. A infraestrutura escolar e as condições de trabalho seguem muito precárias. O arrocho salarial é enorme e o reajuste para todos foi substituído pelo bônus e pela prova de mérito para alguns. A jornada de trabalho é muito extensa e não existe plano de carreira. A gestão é cada vez mais autoritária, o professorado foi fatiado em categorias e é responsabilizado por todas as mazelas da educação. O currículo foi imposto por meio de cartilhas e a escola está sendo transformada num cursinho preparatório para o Saresp.
O que orienta essa política educacional é um modo de governar que segue os princípios do neoliberalismo – diminuir gastos nas áreas sociais destinando-os para outros fins, sobretudo o pagamento de juros para os banqueiros credores da dívida pública. Em nível federal, são seguidos os mesmos princípios. Em 2010 apenas 2,89% do orçamento foram destinados à educação, enquanto a dívida pública ficou com 44,93% .
A APEOESP também não vai bem
A APEOESP tem uma importante história de luta em defesa da educação pública e dos direitos do professorado. Contudo, o que se observa hoje é que a APEOESP faz menos do que deveria e do que poderia. Isso ocorre em grande medida devido à forma como ela é conduzida.
A APEOESP é dirigida há mais de trinta anos pelo mesmo grupo, a Articulação, corrente do PT. A Articulação realiza um sindicalismo que, cada vez mais, coloca os seus interesses de grupo e de partido à frente dos interesses do professorado. É um sindicalismo que não mais se orienta pela defesa de direitos e pela luta por igualdade social. Ele se estrutura como um espaço para a construção de carreiras e como um instrumento de sustentação de partidos e governos.
A presidente da APEOESP, que é candidata ao seu terceiro mandato, usa os meios de comunicação do sindicato para a sua promoção pessoal. Essa prática serve de modelo para pessoas que sonham em também se promover e veem a APEOESP como uma oportunidade.
Esse tipo de sindicalismo vai afastando os professores da APEOESP, enfraquece a defesa da educação pública e dos nossos direitos e acaba por facilitar a implementação de políticas como as que nos têm sido impostas.
É hora de mudar
A APEOESP não é da Articulação, ela é dos professores. Opor-se ao rumo que a Articulação deu ao sindicato não significa negar o sindicato. Defendemos a APEOESP, mas queremos que ela mude o seu rumo para se fortalecer como um instrumento dos professores em defesa da educação pública.
A APEOESP tem de ser combativa, tem de ser motivadora e organizadora da luta por direitos e por igualdade social. Ela tem de ir além do corporativismo e romper de vez com a submissão a partidos e governos. Para a APEOESP ser esse instrumento é necessária uma mudança na sua direção. Por isso, apoiamos a chapa 2 Oposição Unificada na Luta e os candidatos da nossa subsede de Cotia e Vargem Grande que defendem a chapa de oposição.
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